terça-feira, 30 de novembro de 2010

”Algo de tudo em tudo”

Um outro filósofo, Anaxágoras (500-428 a.C.), não estava satisfeito com a conclusão a que se tinha chegado: que um determinado elemento primordial - água, por exemplo - se pudesse transformar em tudo o que vemos na natureza. Também não aceitava a concepção segundo a qual a terra, o ar, o fogo e a água se transformavam em sangue ou ossos, pele ou cabelo.

Anaxágoras achava que a natureza era composta por ínfimas partículas que não podiam ser apreendidas pelos olhos. Segundo ele, tudo se pode dividir em partes ainda menores, havendo nessas partículas um pouco de tudo.

Se a pele e o cabelo não podem nascer de uma outra coisa, então tem de haver também, segundo ele, pele e cabelo no leite que bebemos e nos alimentos que comemos. Dois exemplos modernos apontam para aquilo em que Anaxágoras pensou. Com a técnica “laser” podemos fabricar os chamados "hologramas". Se um holograma representa, por exemplo, um carro e este holograma é em seguida fragmentado, veremos ainda a imagem de todo o carro, mesmo que já só tenhamos a parte do holograma que mostrava o pára-choques. Isto sucede porque todo o motivo está presente em cada parte, mesmo a mais reduzida.

O nosso corpo também é basicamente formado desta maneira. Se eu raspar uma célula da pele do meu dedo, o núcleo da célula não contém apenas a descrição da minha pele. Na mesma célula, há igualmente a descrição dos meus olhos, da minha cor de cabelo, do número e aspecto dos meus dedos, etc. Em cada célula do corpo há uma detalhada descrição da constituição de todas as outras células do meu corpo. Em cada célula há, portanto, "algo de tudo". A totalidade encontra-se na partícula mais reduzida.

Anaxágoras chamou "sementes" a estes elementos infinitamente divisíveis a partir dos quais se formam os vários corpos. Vimos que segundo Empédocles o amor unia entre si as várias partes que formavam os corpos na sua globalidade. Também Anaxágoras imaginava uma espécie de força que, por assim dizer, produzia a ordem e criava homens, animais, flores e árvores. Designava esta força por “espírito” ou razão.

Anaxágoras é também digno de nota por ser o primeiro filósofo em Atenas de que temos notícia. Era oriundo da Ásia Menor, mas foi viver para Atenas com cerca de quarenta

anos. Aí, foi acusado de impiedade e teve que deixar novamente a cidade. Afirmara, entre outras coisas, que o Sol não era nenhum Deus, mas uma massa incandescente, maior que a península do Peloponeso.

Anaxágoras interessava-se muito por astronomia. Acreditava que todos os corpos celestes eram feitos da mesma substância que a terra. Ficou convencido disto após ter examinado um meteorito. Por isso, era lícito pensar, segundo ele, que existissem homens noutros planetas. Além disso, esclareceu que a Lua não brilhava por si mesma, mas era iluminada pela terra. Por fim, explicou a formação dos eclipses solares.

“Tudo flui”

“Heráclito”, contemporâneo de Parmênides, era originário de Éfeso na Ásia Menor (aproximadamente 540-480 a.C.). Segundo ele, as transformações constantes eram a verdadeira característica da natureza. Podemos dizer que Heráclito confiava mais nas impressões dos sentidos do que Parmênides.

"Tudo flui", segundo Heráclito. Tudo está em movimento, e nada dura eternamente. Por isso, não podemos "entrar duas vezes no mesmo rio". Porque quando entro no rio pela segunda vez, tanto eu como o rio estamos mudados.

Heráclito explicou, também, que o mundo é caracterizado por contrários constantes. Se nunca estivéssemos doentes, não compreenderíamos o que é a saúde. Se nunca tivéssemos fome, não gostaríamos de comer. Se nunca houvesse guerra, não saberíamos apreciar a paz, e se nunca fosse Inverno, não saberíamos quando chega a Primavera.

Tanto o bem como o mal ocupam um lugar necessário no todo, dizia Heráclito.Sem o jogo permanente entre contrários, o mundo terminaria. "Deus é o dia e a noite, o Inverno e o Verão, a guerra e a paz, a saciedade e a fome", dizia. Ele utiliza aqui a palavra "Deus", mas não se refere aos deuses de que falam os mitos. Segundo Heráclito, Deus - ou o divino - é algo que abrange tudo. Sim, Deus está patente justamente na natureza, que é contraditória e está em transformação constante.

Em vez do termo "Deus", Heráclito usa freqüentemente a palavra grega “logos”, que significa razão. Mesmo que nós, homens, não pensemos sempre de modo igual ou não tenhamos o mesmo bom-senso, tem de haver uma espécie de "razão universal", que governe tudo o que acontece na natureza. Esta razão universal - ou "lei universal" – é comum a todos, e todos os homens se devem orientar por ela. No entanto, a maior parte deles vive segundo a sua própria razão particular, segundo Heráclito. Com efeito, ele não tinha uma idéia muito positiva do seu próximo. As opiniões da maior parte dos homens eram, para ele, "brinquedos de crianças".

Em todas as transformações e contradições da natureza, Heráclito via uma unidade ou totalidade. Aquilo que está na origem de tudo, era designado por ele "Deus", ou “logos”. Quatro elementos principais Parmênides e Heráclito tinham, sob um certo ponto de vista, concepções opostas. A razão de Parmênides defendia que nada se pode alterar.Mas as experiências dos sentidos de Heráclito defendiam que, na natureza, se dão constantemente

transformações.

Qual dos dois tinha razão? Devemos confiar na razão, ou nos sentidos? Tanto Parmênides como Heráclito fazem duas afirmações respectivamente:

Parmênides afirma que:

a) nada se pode transformar e que:

b) conseqüentemente as impressões dos sentidos não podem ser dignas de confiança.

Heráclito, por seu lado, afirma que:

a) tudo se transforma ("tudo flui") e que:

b) as impressões dos sentidos são dignas de confiança.

Dificilmente pode haver um desacordo maior entre filósofos! Mas qual dos dois tinha razão? Por fim, Empédocles (aproximadamente 494-434 a.C.), de Agrigento, haveria de encontrar o caminho para sair do novelo no qual a filosofia se tinha emaranhado.

Pensava que tanto Parmênides como Heráclito tinham razão numa das suas afirmações, mas

que ambos se enganavam num ponto. Segundo Empédocles, a grande discórdia baseava-se no fato de os filósofos terem pressuposto que apenas havia um elemento. Se isso fosse verdade, então o abismo entre o que a razão diz e o que recebemos dos sentidos seria intransponível.

A água não se pode transformar em peixe ou em borboleta. A água não se pode transformar de todo. A água pura permanece água pura para toda a eternidade. Parmênides tinha razão em afirmar que nada se transforma. Simultaneamente, Empédocles estava de acordo com Heráclito, dizendo que devemos confiar nas impressões dos sentidos. Temos que acreditar no que vemos, e vemos transformações permanentes na natureza.

Empédocles reconheceu que a idéia de um único elemento primordial tinha de ser rejeitada. Nem a água, nem o ar se podiam transformar numa roseira ou numa borboleta. A natureza não podia ter apenas um elemento constituinte. Segundo Empédocles a natureza é onstituída por quatro elementos primordiais ou "raízes", que identifica com a terra, o ar, o fogo e a água.

Todas as transformações da natureza resultam do fato de os quatro elementos se misturarem e se separarem. Tudo é constituído por terra, ar, fogo e água, misturados em proporções variáveis. Quando uma flor ou um animal morrem, os quatro elementos separam-se novamente uns dos outros. Podemos perceber estas transformações a olho nu.

Mas a terra, o ar, o fogo e a água permanecem totalmente inalterados ou intactos, apesar de todas as misturas em que estão presentes. Também não é verdade que "tudo" se altera. basicamente, nada se altera. O que sucede é que quatro elementos diferentes se misturam e se voltam a separar - para se misturarem novamente no futuro Podemos fazer uma comparação com um pintor. Se ele tem apenas uma cor – por exemplo, o vermelho – não pode pintar árvores verdes. Mas se tem amarelo, vermelho, azul e preto, pode pintar centenas de cores diferentes, porque mistura as cores em proporções diferentes.

Um exemplo da cozinha mostra-nos o mesmo. Se eu tivesse apenas farinha, tinha de ser um ilusionista para fazer um bolo com ela. Mas se tenho ovos e farinha, leite e açúcar, posso criar variados bolos com os quatro elementos de base. Não foi por acaso que para Empédocles as raízes da natureza eram precisamente a terra, o ar, o fogo e a água.

Antes dele, outros filósofos tinham procurado mostrar que o elemento primordial era a terra ou a água ou o ar ou o fogo. Tales e Anaxímenes tinham insistido em que a água e o ar eram elementos importantes na natureza. Para os Gregos, o fogo também era importante. Por exemplo, viam a importância do Sol em toda a vida da natureza e, obviamente, tinham conhecimento do calor do corpo nos homens e nos animais.

Talvez Empédocles tenha visto arder um pedaço de madeira. Neste caso, há algo que se desagrega. Ouvimo-lo no crepitar da madeira. É a água. Algo se torna fumaça. É o fogo. E vemos claramente o fogo. Quando as chamas se apagam, algo permanece. É a cinza, ou a terra.

Depois de Empédocles ter indicado que as transformações da natureza são produzidas através da mistura e separação das quatro raízes, há ainda uma questão em aberto: qual é a causa pela qual os elementos se unem para que nasça uma nova vida? E o que é que contribui para que a "mistura", uma flor, por exemplo, se desagregue de novo? Segundo Empédocles, há na natureza duas forças diferentes que nela agem.

Designava estas forças por “amor” e “discórdia”. Aquilo que une as coisas é o amor, o que

as desagrega é a discórdia. Empédocles faz uma distinção importante entre elemento e força. É importante notar isto. Ainda hoje, a ciência distingue elementos e forças da natureza. A ciência moderna acredita que todos os processos da natureza se podem explicar como resultado dos vários elementos e algumas forças da natureza.

Empédocles também se dedicou à questão do que acontece quando sentimos algo. Como é que eu posso, por exemplo, "ver" uma flor? O que sucede então?

Empédocles pensava que os nossos olhos, tal como todas as outras coisas na natureza, são constituídos por terra, ar, fogo e água. Por isso, a terra do meu olho apreende o que é feito de terra no que é visto, o ar apreende o que é feito de ar, o fogo dos olhos apreende o que é feito de fogo, e a água o que é feito de água. Se faltasse no olho um destes elementos, eu não poderia ver toda a natureza.

“Do nada, nada pode nascer”

Os três filósofos de Mileto acreditavam num – e apenas num elemento primordial, a partir do qual todas as outras coisas eram criadas. Mas como poderia uma substância transformar-se de repente e tornar-se uma coisa completamente diferente? Podemos designar este problema pelo problema do devir.

A partir de aproximadamente 500 a.C. viveram na colônia grega de Eléia, na Itália meridional, alguns filósofos, e estes "eleatas" tratavam destes problemas. O mais conhecido

de entre eles era Parmênides (aproximadamente 540-480 a.C.). Parmênides acreditava que tudo o que existe, existiu sempre. Esta idéia estava bastante difundida entre os Gregos. Tinham como evidente que tudo o que há no mundo existiu desde sempre. Do nada, nada pode nascer, pensava Parmênides. E nada do que existe pode tornar-se nada.Mas Parmênides foi mais longe que a maior parte dos outros. Para ele, não era possível nenhuma verdadeira transformação. Uma coisa só se pode transformar naquilo que já é.

Parmênides não tinha dúvidas de que na natureza se dão constantemente transformações. Os seus sentidos apercebiam-se do devir das coisas. Mas não conseguia fazer coincidir o que os seus sentidos registravam com o que a razão lhe dizia. Quando foi obrigado a decidir se devia confiar nos sentidos ou na razão, decidiu-se pela razão. Conhecemos a frase: "Só acredito naquilo que vejo." Mas Parmênides nem sequer acreditava no que via. Pensava que os sentidos nos forneciam uma imagem falsa do mundo, uma imagem que não coincidia com o que a razão diz aos homens. Enquanto filósofo, encarava a sua tarefa como o desmascarar de todas as formas de "ilusões sensoriais".

Esta forte confiança na razão humana é designada “racionalismo”. Um racionalista é uma pessoa que tem uma grande confiança na razão humana, como fonte do nosso conhecimento sobre o mundo.

“Três filósofos de Mileto”

O primeiro filósofo de que temos notícia é Tales, da colônia grega de Mileto, na Ásia Menor. Ele viajava freqüentemente. Diz-se que, certa vez, teria medido a altura de uma pirâmide no Egito, medindo a sombra da pirâmide no momento em que a sua própria sombra estava tão alta como ele. Além disso, conseguiu prever um eclipse do Sol no ano

585 a.C.

Para Tales, a água era a origem de todas as coisas. Não sabemos exatamente o que ele ueria dizer com isto. Talvez quisesse dizer que toda a vida começa na água - e que toda a vida se torna de novo água quando se inicia a degradação.

Quando esteve no Egito, viu certamente como os campos ficavam férteis quando o Nilo abandonava as terras que constituíam o seu delta. Talvez tenha visto também como as rãs e os vermes surgiam à luz do sol depois de ter chovido.

Além disso, é provável que Tales se tenha questionado quanto ao modo como a água se pode tornar gelo e vapor – e de novo água.

Afirma-se que Tales disse que "tudo está cheio de deuses". Apenas podemos avançar hipóteses sobre a interpretação desta frase. Talvez tivesse pensado que a terra era a origem de tudo, desde as flores e as sementes, até às abelhas e baratas. Tinha chegado à conclusão de que a terra estava cheia de pequenos "gérmenes da vida" invisíveis. O que é certo é que não estava a pensar nos deuses homéricos.

O filósofo seguinte de que temos conhecimento é Anaximandro, que viveu igualmente em Mileto. Para ele, o nosso mundo é apenas um dos muitos que nascem de algo e perecem em algo que ele denominou o infinito. É difícil dizer o que queria significar com o termo infinito, mas sabemos que não pensava, ao contrário de Tales, numa substância totalmente determinada. Talvez quisesse dizer que aquilo, a partir do qual tudo é criado, tem de ser completamente diferente de tudo o que é criado. E visto que tudo o que é criado é finito, tudo o que lhe é anterior ou posterior tem de ser infinito. É claro que o elemento primordial não podia ser, assim, simples água.

Um terceiro filósofo de Mileto era Anaxímenes (cerca de 570-526 a. C.). Para ele, o ar era o elemento primordial de todas as coisas. Anaxímenes conhecia, naturalmente, a teoria de Tales sobre a água. Mas de onde surge a água? Para Anaxímenes, a água era ar condensado. Nós sabemos que, ao chover, a água é condensada a partir do ar. Quando a água é ainda mais condensada, torna-se terra, segundo Anaxímenes. Talvez tivesse visto que, quando o gelo se derrete, "expele" terra e areia.

De modo análogo, pensava que o fogo era ar rarefeito. Segundo Anaxímenes, a terra, a água e o fogo tinham origem no ar. A passagem da terra e da água às plantas no campo não era demorada. Talvez Anaxímenes pensasse que a terra, o ar, o fogo e a água tivessem de existir para que pudesse nascer vida. Mas o verdadeiro ponto de partida era o ar. Ele partilhava, portanto, a concepção de Tales, segundo a qual um elemento primordial estava na origem de todas astransformações na natureza.

“Os filósofos da natureza”

Os primeiros filósofos gregos são designados por "filósofos da natureza", porque se interessaram, principalmente, pela natureza e pelos processos físicos. Já nos interrogamos sobre a origem de tudo. Hoje em dia, muitos homens acreditam que tudo nasceu do nada em determinada altura. Este pensamento não estava muito difundido entre os Gregos.

Eles acreditavam que "algo" teria existido sempre.

A questão fundamental não era, portanto, como é que tudo poderia surgir do nada. Em lugar disso, os Gregos admiravam-se que a água se pudesse transformar em peixes vivos, e a terra morta em árvores altas ou flores de cores vistosas. Para não falar de como um bebê pode nascer no corpo da mãe!

Os filósofos viam com os seus próprios olhos que havia na natureza transformações constantes. Mas como é que essas transformações eram possíveis? Como é que algo feito de uma substância se poderia transformar numa coisa completamente diferente?

Era comum entre os primeiros filósofos acreditarem que havia um elemento primordial responsável por todas as transformações. A forma como teriam chegado a este pensamento não é clara. Sabemos apenas que ele surgiu da concepção, segundo a qual, teria de haver um elemento primordial, que daria origem a todas as transformações da natureza.

O mais interessante para nós não são as respostas que estes primeiros filósofos encontraram. O mais interessante são as questões que punham e que tipo de respostas procuravam. Para nós, é mais importante saber como é que eles pensaram do que o que pensaram.

Podemos constatar que se questionavam sobre a forma como aconteciam certa transformações na natureza. Procuravam descobrir algumas leis naturais eternas. Desejavam compreender os fenômenos da natureza, sem recorrer aos mitos tradicionais.

Acima de tudo, procuravam compreender os processos da natureza através da observação

da própria natureza. Isso é completamente diferente da explicação do relâmpago e do trovão, do Inverno e da Primavera, por meio da referência aos acontecimentos no mundo dos deuses.

Desta forma, a filosofia libertou-se da religião. Podemos afirmar que os filósofos da natureza deram os primeiros passos em direção a um modo de pensar “científico”. Assim, abriram caminho a toda a posterior ciência da natureza. Quase tudo o que os filósofos da natureza disseram e escreveram perdeu-se para a posteridade. O pouco que sabemos encontramo-lo nos escritos de Aristóteles, que viveu duzentos anos após os primeiros filósofos. Mas Aristóteles resume apenas os resultados a que os filósofos anteriores tinham chegado. O que significa que não podemos saber sempre de que forma é que chegaram às suas conclusões. Mas sabemos o suficiente para podermos afirmar que o projeto dos filósofos gregos consista nas questões que estavam relacionadas com o elemento primordial nas transformações da natureza.

“O projeto dos filósofos”

Vou contar-te em linhas gerais como é que os homens, desde a Antiguidade até hoje, pensaram sobre as questões filosóficas. Tudo por ordem cronológica.

Visto que a maior parte dos filósofos viveram numa outra época - e possivelmente também numa cultura completamente diferente da nossa - vale a pena interessarmo-nos pelo projeto de cada filósofo. Quero com isso dizer que temos de tentar compreender os aspectos a que o filósofo quis dar resposta.

Um filósofo pode perguntar-se como é que as plantas e os animais surgiram. Um outro pode querer descobrir se Deus existe, ou se os homens possuem uma alma imortal. A partir do momento em que determinamos qual é o projeto de um determinado filósofo, podemos mais facilmente seguir o seu pensamento. Com efeito, dificilmente um filósofo se ocupa de todas as questões filosóficas.

Falei sobre o pensamento "dele", porque a história da filosofia foi escrita, principalmente, por homens. Isso se deve à condição de inferioridade freqüentemente atribuída à mulher, tanto no plano físico como no plano intelectual. É grave, na medida em que, dessa forma, se perderam muitas experiências. As mulheres só surgem verdadeiramente na história da filosofia neste século.